• PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA E PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DA UNIÃO AFRICANA DIRIGIU-SE AOS PARTICIPANTES NA CERIMÓNIA


    João Lourenço em Washington, na assinatura do acordo de paz entre RDC e Ruanda

    PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA E
    PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DA UNIÃO AFRICANA
    DIRIGIU-SE AOS PARTICIPANTES NA CERIMÓNIA

    4 de Dezembro de 2025 – Washington DC
    Senhor Presidente Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América;
    Caros convidados;
    Altas entidades aqui presentes;
    Senhores jornalistas;
    Eu gostaria de realçar a importância desta cerimónia aqui, em Washington D.C., que
    vai finalmente pôr fim a um conflito que, como já foi dito, dura há mais de três
    décadas.
    Não são exactamente trinta anos, mas mais do que três décadas. Um conflito entre
    irmãos, países vizinhos e irmãos, que se deviam dar bem, mas que, por razões de
    diversa ordem, têm vindo a se digladiar ao longo dos anos, com pesadas
    consequências, quer para as populações de ambos os países, quer também para as
    respectivas economias.
    A Região dos Grandes Lagos é uma região das mais ricas do mundo, não apenas de
    África. É enormemente rica em recursos hídricos, terras aráveis, florestas, recursos
    minerais que estão no subsolo, mas sobretudo rica nas suas pessoas, com um
    potencial muito grande para desenvolver aquela região de África que pode catapultar
    o desenvolvimento de outras regiões, igualmente, do nosso continente.
    O mundo atravessa hoje uma crise energética e alimentar. Nós estamos a dizer que
    África, e em particular essa Região dos Grandes Lagos, tem o potencial, não digo de
    resolver, mas de contribuir consideravelmente para a resolução destas duas grandes
    crises, quer alimentar quer energética, não apenas para o nosso continente, mas para
    o mundo.
    A grande Barragem do Inga, adormecida há bastantes anos, pode contribuir
    enormemente para a electrificação do continente e, consequentemente, para a sua
    industrialização.
    Em termos de agricultura, o facto de ter terras aráveis, com um índice de chuvas
    bastante regular e abundante, pode desenvolver-se a agricultura naquelas regiões
    para alimentar o continente.
    E nada disso tem sido possível fazer-se, ao longo de décadas, devido a este conflito
    que não tem sentido e que, final e felizmente, parece que terá o seu fim hoje, aqui em
    Washington D.C.
    Nós procurámos fazer a nossa parte. E quando digo nós, estou a referir-me a Angola,
    ao Quénia, e a outros países também africanos. Procurámos fazer o melhor para
    chegarmos a este momento.
    Infelizmente não foi possível, mas nós só temos de agradecer ao Presidente Trump
    por ter dado continuidade ao trabalho que nós realizámos e ter conseguido alcançar
    esse desfecho do qual todos nós sairemos a ganhar.
    Portanto, mais uma vez, o Presidente Trump fez a parte que lhe compete, e nós
    esperamos - e acreditamos que é o que vai acontecer -, que as duas partes, ou seja,
    as Autoridades da República Democrática do Congo e da República do Ruanda
    também farão a sua parte para a implementação com êxito deste acordo.
    Uma coisa é assinar o acordo, outra coisa - que é mais difícil, mas é possível, desde
    que haja vontade política -, é implementar em tempo útil tudo aquilo que nós
    acordamos e assinamos.
    Parabéns a todos, muito obrigado!”